sexta-feira, agosto 13, 2004

Movie-freaking


Fui na casa do Pinha Monhangaba pegar alguns filmes, que, pelo jeito como anda minha vida bastante atribulada de mestrando e professor de pentelhos, vou demorar alguns anos para ver.

Muitos Bergmans, dois Woody Allens, um japonês dos anos 50 sobre o submundo da prostituição, o Elephant, que eu já vi no cinema mas que é legal de ter em casa, três episódios marotos do Twilight Zone original - e não sei mais o quê.

Sem contar a segunda semana da mostra (gratuita!) de cinema japonês, na Sala Redenção, de segunda até sexta, sempre às 18h30min. Quarta tem o filme-ritual de todos os agostos: Harakiri.

sexta-feira, agosto 06, 2004

Pensou.

Pensou ter morrido. Centenas de vezes.

A cada dia. Pensou ter morrido.

Todos pareciam. Mais vivos que ele. Pareciam, com seus sorrisos. Com suas fadigas. Com suas ocupadíssimas agendas vazias. Com suas malas de viagens. Com suas dietas perfeitas quebradas diariamente com o maior estilo. Com suas paixões pela vida. Com seus cinemas semanais. Com seus coitos diários. Com seus super-cônjuges. Com seus problemas com seus super-cônjuges. Com suas brigas de trânsito. Com seus carrinhos de nenéns. Pareciam vazias.

Mas ele: parecia morrido. Por si, por dentro, por sem-vergonha. Por canalha. Por ranho matutino e sebo e álbuns de figurinhas eternamente incompletos. Por vício, morrido.

Num constante aviso prévio.

terça-feira, agosto 03, 2004

Maio de 1866. Porto Alegre.

Provavelmente à noite. Tudo escuro lá fora.

No Beco do Rosário, o Louco. Escrevendo sobre um homem escrevendo:

"São hoje 14 de maio de 1866. Vivo na cidade de Porto Alegre, capital da Província de São Pedro do Sul; e, para muitos, Império do Brasil... Já se vê, pois, que é isto uma verdadeira comédia!"

Pensa em atirar a pena, em gritar. Mas não. Escreve.

Os cabelos caíam sobre a testa. Espetequeavam-se doidivanas. A metros dali, as putas perebentas. A noite pesada. Úmida. Na cabeça. As relações naturais.

domingo, agosto 01, 2004

Pensou

Pensou mesmo.

Em arrebentar com tudo. Deletar. Destruir. Foder com tudo de uma vez por todas. Nunca mais.

"Sobre o quê?

"Sobre o que escrever?"

Deletar. Apagar. Destruir.

Mas antes disso, uma última abridinha. Uma última abridinha só.

"Não tenho mais tempo. Nem sobre o que escrever. Por quê, então? Por quê?"

Mas uma abridinha só. Uma visitinha nos blogues amigos.

Então resolveu escrever um. Só mais um. Só mais um.

terça-feira, julho 13, 2004

Peekaboo!


domingo, julho 11, 2004

Não que a alguém interesse
(seguindo uma longa série de dois posts
de elucubrações tautológicas e confusas -
o que de certo modo soa como um oxímoro,
sendo, no entanto, um pleonasmo)


E não que a alguém não interesse. Pois o interesse de nada vale quando o interesse é o de menos. Mas também não que não valha alguma coisa. Pois ao interessado absoluto tudo é válido, até aquilo por que não é possível haver interesse algum, já que lhe é interessante até o simples fato de que haja algo completamente desprovido de qualquer interesse, por mais ínfimo que seja - o que lhe é, em si, extremamente interessante. (Isto, na verdade, deve-se menos ao fato da coisa desinteressante ser interessante por ser de absoluto desinteresse (não sendo interessante por ser intrinsicamente desinteressante, o que seria impossível, mas por ser absoluta) do que ao fato do interessado interessar-se por qualquer merda, provando que mesmo a merda não é absolutamente desinteressante, desde que esteja bem longe de mim, porque fede (o que contradiz o que está contido nos outros parênteses dentro dos parênteses que fecharei assim que fechar estes parênteses, não sem que eu coloque um ponto antes - não deste parêntesis, mas daquele).)

Já o desinteressado absoluto é um outro tipo de chato - talvez, porém, menos chato que o chato que por tudo se interessa, pois o primeiro pode ainda ser algo interessante por desinteressar-se de tudo, enquanto o segundo começará a ser não apenas desinteressante mas - é provável - muito irritante no momento em que nele despertar um vívido e profundo interesse em você. Isso não quer dizer - nem de longe - que o desinteressado absoluto não seja um chato, pois é capaz de interessar-se por tudo apenas para ter a impertinente autoridade de dizer que tudo é de absoluto desinteresse (leia-se aqui por 'desinteresse' a menos nobre palavra 'chatice'). Isto decerto coloca o leitor deste post em um impasse filho-da-puta, pois se, chegou até aqui, foi por profundo interesse ou por profundo desinteresse; logo, ele deve ser um chato de um dos dois tipos acima citados. Não há possibilidade nem de negação nem de afirmação. E tampouco adianta chamar o autor de chato (devido ao conhecido 'efeito do espelho').

Porém, aquele leitor de quem não se pode dizer nem que seja de fato leitor por não haver lido porra nenhuma, este é certamente um chato por, desde o começo, ter achado tudo isso chato pra caralho.

sexta-feira, julho 02, 2004

Qorpo Sujo pensa que pensa


Logo, pensa que existe. O que já é pensar cartesianamente, pois parte do pressuposto de que o mínimo que se pode fazer para existir é pensar. Enquanto que, na verdade, seja justamente o fato de pensar que nos impede de existir.

Ou não.

Ou pior: ou sim e não.

Pois existir talvez nada tenha a ver com pensar ou não. A não ser em relação às coisas pensadas. Pois como pode haver as coisas pensadas se elas não forem pensadas? Nem assim, no entanto, pode-se dizer que elas se pensam a si próprias, a não ser que elas já existam antes mesmo da possibilidade de existirem - que é pensar.

Portanto, para existirmos, é preciso que alguém nos pense. Então, alguém me pensa, logo existo. Mas quem me pensa? Quem afinal ele pensa que é, sair por aí me pensando antes mesmo de eu existir? E quem o pensou a ele próprio, antes de me pensar? Encontrem esse filho da puta, por favor.

O melhor seria existir sem pensar, o que, no entanto, é improvável. Pelo menos em relação a si mesmo, já que, em se tratando de um piano caindo do último andar de um edifício no centro da cidade sobre a sua cabeça, é provável que ele não precise se pensar para existir. Você, por outro lado, certamente cessará de pensar e existir. O que de modo algum pode ser encarado como uma solução para o problema.

Mas se for preciso haver alguém pensando o piano, seria melhor encontrar essa pessoa antes que chegue a pensá-lo e matá-la o quanto antes, pois provavelmente a pessoa que pensou o centro da cidade tenha morrido tarde demais, porque eu estive no centro da cidade ainda esta manhã. E não tenham dúvida em relação a isso, porque eu lhes asseguro: eu existo, pensando ou não.
Que horror... que horror...

segunda-feira, junho 28, 2004

O Sobre-Homem

Qorpo Sujo ilumina


Passou os melhores anos de sua vida tentando achar algum sentido por trás da escrita críptica daquele autor (que ninguém afirmava entender, mas que todos amavam, principalmente os que o odiavam).

Até que descobriu. O cara era um filho-da-puta. Um desocupado. Um pau-no-cu. Um descarado. Um vagabundo. E o pior de tudo: o mais confuso de todos os mortais - pensava com suas hemorróidas; com suas chagas sifilíticas; com seus estremecimentos de esquizofrenia. Não o odiou, no entanto. Nem sentiu nenhuma compaixão.(Alas, pensou apenas, aos confusos deveria ser negado qualquer traço de inteligência... (mas pensar isso, é claro, é a mais niilista das fantasias).)

Pôde então assistir em paz toda sua coleção de espaguétis.

quinta-feira, junho 24, 2004

... porque não uso um bigodão
(Da série Big issues for busy people)


Se pudesse, exporia toda a falácia da (pós-)modernidade.

Mas não posso...
Qorpo Sujo perde a vergonha e chora um pouco
(sem o menor sinal de estilo)


Meus olhos estão cansados e, depois de algumas horas de leitura, não enxergo bem o rosto das pessoas.

Enquanto milhões de micróbios são mortos, milhões de macróbios também são. Não que uma coisa tenha a ver com a outra. E não que não tenha.

O fato de milhões de velhos estarem ficando mais velhos não indica de forma alguma que os jovens que o constatam estejam eles próprios ficando mais jovens.

Because the sky is grey, it makes me craiaiaiai.

sábado, junho 12, 2004

A problemática do pensamento tautológico
(Da série Big issues for busy people)


O pensamento tautológico pode significar um problema se de fato for tautológico. Caso não o seja, oferecerá outros problemas talvez, mas não o de ser tautológico, pois não o é.

sexta-feira, junho 11, 2004

O pensamento tautológico
(Da série Big issues for busy people)


Há um tipo de pensamento que, em sua estruturalidade, é tautológico. A este se dá o nome de "pensamento tautológico".

quarta-feira, junho 09, 2004

Qorpo Sujo na era do vazio (l`ère du vide)









...
















Qorpo Sujo na era da autorreferencialidade

Panicus et circensis
&
Pau-no-cus circenses
O prazer de escrever em um blogue
(Da série Big issues for busy people)


Há um certo prazer em escrever em um blogue.

terça-feira, junho 08, 2004

Sugestão para início de palestra em seminário sobre Heidegger


Se algo do gênero fosse possível, diríamos que a filosofia de Heidegger se sintetiza na seguite frase:

Ein "ist" ergibt sich wo das Wort zerbricht.

...

Ah, desculpem-me, senhoras e senhores. Ninguém tem a obrigação de entender uma língua tão complicada quanto o alemão, certo? Vejo pelos seus olhares perplexos...

Tenho certeza que a perplexidade se dissolverá facilmente com a tradução:

Um "é" se dá onde a palavra falha.

Bem, continuando...
C'est la même merde!


Tanto faz se for em francês...