Não que a alguém interesse
(seguindo uma longa série de dois posts
de elucubrações tautológicas e confusas -
o que de certo modo soa como um oxímoro,
sendo, no entanto, um pleonasmo)
E não que a alguém não interesse. Pois o interesse de nada vale quando o interesse é o de menos. Mas também não que não valha alguma coisa. Pois ao interessado absoluto tudo é válido, até aquilo por que não é possível haver interesse algum, já que lhe é interessante até o simples fato de que haja algo completamente desprovido de qualquer interesse, por mais ínfimo que seja - o que lhe é, em si, extremamente interessante. (Isto, na verdade, deve-se menos ao fato da coisa desinteressante ser interessante por ser de absoluto desinteresse (não sendo interessante por ser intrinsicamente desinteressante, o que seria impossível, mas por ser absoluta) do que ao fato do interessado interessar-se por qualquer merda, provando que mesmo a merda não é absolutamente desinteressante, desde que esteja bem longe de mim, porque fede (o que contradiz o que está contido nos outros parênteses dentro dos parênteses que fecharei assim que fechar estes parênteses, não sem que eu coloque um ponto antes - não deste parêntesis, mas daquele).)
Já o desinteressado absoluto é um outro tipo de chato - talvez, porém, menos chato que o chato que por tudo se interessa, pois o primeiro pode ainda ser algo interessante por desinteressar-se de tudo, enquanto o segundo começará a ser não apenas desinteressante mas - é provável - muito irritante no momento em que nele despertar um vívido e profundo interesse em você. Isso não quer dizer - nem de longe - que o desinteressado absoluto não seja um chato, pois é capaz de interessar-se por tudo apenas para ter a impertinente autoridade de dizer que tudo é de absoluto desinteresse (leia-se aqui por 'desinteresse' a menos nobre palavra 'chatice'). Isto decerto coloca o leitor deste post em um impasse filho-da-puta, pois se, chegou até aqui, foi por profundo interesse ou por profundo desinteresse; logo, ele deve ser um chato de um dos dois tipos acima citados. Não há possibilidade nem de negação nem de afirmação. E tampouco adianta chamar o autor de chato (devido ao conhecido 'efeito do espelho').
Porém, aquele leitor de quem não se pode dizer nem que seja de fato leitor por não haver lido porra nenhuma, este é certamente um chato por, desde o começo, ter achado tudo isso chato pra caralho.